segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sonho primaveril

O vento se amorna 
O céu se empoeira
As folham caem...

A chama interna
Da primavera já
Se manifesta...

Estação colorida,
Qual um festival
Em tons de terracota
Aliada aos infindos.

O silêncio se impõe
Mas não há como!
As flores dançam,
Os corações saltitam

Sucessora do inverno,
Faz sua ronda costumeira
Folheando a vida
Salpicando brilho...

Não há de ficar indiferente,
À paisagem nova, promissora.
Há de sonhar belos sonhos,
Sem coragem de dizer que é
Fantasia.....

autoria:: Suzete Torres


domingo, 2 de setembro de 2012

Ensaio

Cada dia, uma esperança nova,
E assim...cada mês , cada ano.
Eis-me aqui, sem talento algum
Tentar escrever alguma coisa
Que me revele ou que desvele
O véu já roto, empoeirado e
Desgastado que disfarçou
Dores e dissabores, horrores
E espantos, risos e lágrimas.
De um sobrecomum esfôrço
Quero extrair da alma, uma
Centelha, mesmo que derradeira,
Que propague em vertiginosa chama,
O verbo esquecido, a sentença com sentido.
E, consentido o brilho, pego carona com
Essa primavera....sem promessas!


autoria:: Suzete Torres




quinta-feira, 5 de julho de 2012

Andeja

Entre laços, nós e desenlaces
Fui trilhando meu caminho...
Deixei impresso, o meu suor
Na tinta fresca do universo

Como pássaros que anseiam
Por uma tarde florida, fui
Amassando a vida pra
Encontrar canteiros...

Andei por vazias plataformas,
Exasperei, chorei...
Fiei meus sonhos em fantasia,
E como um novelo se fez

Tanto se perdeu na teia do
Tempo! Mas ficou invicta
A alma...nas beiradas do
Mundo hei de encontrar muitas flores"!


por;;Suzete Torres

sábado, 30 de junho de 2012

De passagem....

De passagem eu fui sua,
Não só vestida, como nua
Doei minh´alma à sua,
Como o céu para a lua.

Hoje, concedo a honra
Ao seu corpo esvanecido
De tocar em silêncio, a
Minha vida, sem a sua

É tempo de colher o que
Há em meu ser...
Não tenho culpa, querido
Que a lua não é mais sua!
                                                                   

                                                             Suzete Torres

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nos bastidores





Difícil é não ser...

Na coxia da vida,

Eu sou...

Quando as cortinas

Se abrem, não sou

Mais...







Sou o papel que

Me foi dado...

Sem talento, sem

Paixão...

Porque não sou

Atriz...

Sou mulher!

Simples assim...




Mulher de um só

Espetáculo...o da

Luz nas entranhas...

Mulher que sob

Uma cortina branca,

Não gritou...







Mordeu os lábios,

Num contido momento

De dor e, depois, extenuada,

Sorriu...







Difícil é não ser...

Na coxia da vida eu sou.

Sou eu mesma, a ciscar

Um sorriso, um afeto,

Um torrão de açúcar

Que me adoce o ser

Que sou!


por:: Suzete Torres












sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bem-me-quer....

Vi meu humilde bem querer
Rasgando as folhas, ficando
Simples e sem fonte...

Vi meu suntuoso mal querer
Vadio e acorrentado à mercê
Da sorte...

Bem-me-quer, mal-me-quer...
Se bem me quis, eu também
Se mal me quis, eu bem quis!

Da folha do bem-me-quer
Eu só vi o amor...
Da folha do mal-me-quer,
Só a dor...

Mal-me-quer, bem-me-quer...
...a agonia da folha, querendo
Só bem-me-quer!

por:: Suzete Torres




















quinta-feira, 19 de abril de 2012

Folha em branco

Quero uma folha em branco,
Tão branca como o lírio em haste,
Antes do câmbio da tarde...
Dardejar muito brilho com salpicos
De lantejoulas,
Lambuzar de cores, meus dedos já
Entumescidos,
E percorrer a folha com toda liberdade.
Depois, sem repasses e acertos,
Ver a folha subindo pelas mãos de um
Menino...empinada com louvor até 
Desaparecer no espaço, ficando só 
Réstias de luz, imanentes das lantejoulas!
Para os ares a folha em branco...
Só o lúdico em cores!...


por::: Suzete Torres