terça-feira, 14 de junho de 2011

Fragmentos...




O vento fresco,quase frio
É a natureza se impondo
Anunciando o inverno...
Estação dos agasalhos,
Chocolates quentes,
Mantas e cobertores.

O céu de um azul quase índigo
A lua límpida,contornada por
Um círculo,imperceptívemente,colorido
As estrelas salpicando um prateado ...
A atmosfera denunciando a mudança
As árvores num leve balancê...

Nossa pele abrigada pelas flanelas,
Nossas mãos protegidas,
Aquecidas com o poder de uma lareira
Ou luvas,talvez...
Um fromage quente,conhaque,licor
Pão fresco,frances ou italiano
Não importa!..

O que realmente importa é o próximo.
O que não tem.o que não sabe,
O que desconhece,o que sofre...
É para ele que devemos olhar.
Para os desabrigados,desvestidos,
Descalçados,desnutridos..

Plageando Vinicius em seu poema
Azul e branco...mar
Olhemos,nós,para o próximo:
Ter e repartir
Ter e repartir
Ter repartir...minimização da dor!
Por Suzete Torres

"Onde não houver amor,não se demore"

Essa frase,a qual escolhi para meu texto, é de Florbela Espanca.Notável escritora portuguesa,nascida em
1894,de vida sofrida e com muitos poemas lindíssimos,talvez até pouco conhecidos por falta de interêsse
que,infelizmente,ainda se dá pela literatura em si e também pelo lirismo nela contida.


"Onde não houver amor,não se demore"...


Quantas vezes insistimos na permanência a lugares e ambientes onde só há hostilidade e fraquezas de espírito...
Permitimos,quase sempre, à exposição de nós mesmos.
Acatamos sorrisos falsos,falas alteradas,olhares desconfiados.
Suportamos caladas ofensas,em silêncio.
Arrogâncias!Quantas...
Um espírito nú,sem vestes de elegância,também...
O percorrer de um olhar,de cima embaixo,como recriminação.
Um desprêzo explícito a qualquer manifestação.
Uma sonolência mórbida às nossas indagações.
Um despeito que dilacera,ferindo...
Um mau humor constante,que distancia.
Murmurações maliciosas,que nada acrescentam.
A falta de um desvêlo...a sindicãncia camuflada,
A invasão desacelerada no que só a nós diz respeito.
E,sobretudo,a vaidade em comunhão com o egoísmo
Parceria indissolúvel dos pretenciosos e vazios...


Quero agradecer minha filha Daniela pela oportunidade que me deu ,enviando-me essa frase.
Um beijo,filha.
Fiquemos com nossas plantinhas,nossos vasinhos de violeta,nossa morada simples,nosso café
quentinho com bolo.Obrigada também ao recado que a mensagem encerra:Não me demorarei
nem mais um instante,onde não houver amor!!


por:Suzete Torres

DELICADEZA

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ode à rosa

Rosa semiaberta,perfumada
Úmida do orvalho da noite
Deitando suas pétalas
Sôbre o roseiral
Querendo sua beleza ocultar

Rosa,de roseira faceira
Delicadamente aveludada
Rósea,rosada,corada
Ingênua,ao mesmo tempo
Insinuante...
Atraente...

Rosa,que mesmo em botão
Aguça os sentidos

Penetra a alma
Evoca sentimentos
Rosa,rósea,quase pronta
Eu queria ser como você....Mulher!






Por: Suzete Torres

sábado, 11 de junho de 2011

Reminiscências

Não tem mais "proseiro" nas calçadas
Nem bolinho de chuva com café
Não tem mais vizinho pra se pedir
Um ovo emprestado.

Menino no campinho,também não
Levar uma sopinha pra senhorinha
Nem pensar...
Jogo de botão pela calçada,
Sentar na sarjeta,ai...ai...

Pedir uma japona emprestada do amigo
Deus me livre!!hoje é jaqueta
Tomar Douradinha,picolé de groselha.
Levar um pedaço de torta pra comadre,
Já era..
E o suspiro caseiro?Só o que agente emite


Laranja,goiaba,banana,limão.tangerina
Não se comprava....ganhava.
O pratinho que ia pra vizinha
Coberto com guardanapo de damasco(tecido)
Nunca voltava sem nada,era retribuição
Engraçado:-usava-se repartir.

E o radinho de pilha transmitindo
O futebol?
As músicas na PRA7?
De Pepino di Capri a Elvis,
Passando por Cely Campelo
E por aí vai...

Portas e janelas abertas
Podia...não tinha perigo
Eu me lembro só de ladrão
De galinhas...e raramente
De roupas no varal.

O disco na vitrola...nem se fala!
O cuba libre...que extravagância
O laquée,pó de arroz e a alfazema...
MeuDeus! O tempo passou...
Mas foi a vida que mudou
Ou foi a TV.que nos logrou?


Por :Suzete Torres

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ocaso

Não é por acaso o ocaso
Ele se dá no horizonte
E em nossa vida também

No horizonte,desaparece o sol
Em nossa vida...o declínio
Muitas vezes de nossos desejos,
De nossas vontades e de nossos
Sonhos...

O ocaso precede ao crepúsculo
Que convida ao repouso quando não se quer repousar...
Teima com a gente...Finge não saber que a vida é tão bela e queremos
viver!!O horizonte é longinquo...não podemos declinar.






Por :Suzete Torres

Discrepância

A alvorada se rompe,cálida...
O trabalhador,no ímpeto de
Sua obrigação,levanta-se  e
Ainda sonolento
Prepara seu amargo café
Que num gole apressado
Esquenta sua garganta,porem
Não sacia seu estômago faminto.
Mesmo assim,famélico,lá vai  o
trabalhador!
Seu arquétipo,servindo de modelo à pobreza,continua o
seu caminhar até o campo,com enxada nos ombros,de onde
extrairá a diária para o seu sustento.Mas...que sustento é esse
que não lhe consegue suprir?
Mas,lá vai o trabalhador!Sustentar o sustento opulento do patrão.
Lá vai o trabalhador.,,mãos calejadas,pele ressecada pelo sol ou
pelo frio,e, num débil suspiro quando chega o crepúsculo,volta pra
casa pensando em requentar o café...Dissipando os pensamentos
dorme cansado da vida,esse trabalhador.Talvez até, essa fadiga
seja uma boa companheira...para livrá-lo de qualquer desatino.






Por : Suzete Torres