terça-feira, 6 de março de 2012

...e nem chegou o outono!






Desagarradas de suas hastes,

Secas e quebradiças, desfalecem

No solo ardente, as folhas dessa

Estação, que tristonhas e avulsas, num

Movimento de partida, se vão...




Frágeis, desprotegidas, amareladas e

Combalidas pelo sol castigante do

Verão, vão elas, arrefecidas, do verde

Que iluminou o corpo que as sustentou.

Sem água e sem ar, exaustas de calor,

Vão as folhas prenunciando a vinda da

Nova estação...




Faz-se a iminência do outono na anfitriã

Atmosfera que recebe com um certo refresco,

A visita do novo tempo...

Tempo de belos ocasos, linda manhãs, noites

Brisadas , luares de inspiração...

É o outono o declínio das antigas paixões, das

Madrugadas convulsas em pensamentos vãos.

No outono me sinto viva, pronta de coração, e,

Num movimento de encontro com minha haste

Vazia, tento novas folhas...verdes, muito verdes,

Pra não desmaiar, a poesia!...

autoria:: Suzete Torres









sábado, 3 de março de 2012

Voo livre

Que tuas cores alegrem o prado
Revigorem as flores, umedeçam a
Terra, verdejem a relva, verberem
O delírio das pragas daninhas que
Devastam os sonhos e aniquilam os
Desejos...


Que tuas asas se abram com força
De vida, clamando a beleza que do
Ocaso se avista, beijando a luz que
Visas da lua, elevando ao céu a prece
Esquecida...


Vá borboleta, de mim...avance teu voo
Eu te libero, com passe de volta...livre
Pra mim!!


autoria:: Suzete Torres


"Dai-me braços, abraços, laços...que me rendam luz"!
                                         (Suzete)

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Causos"....





A rede na varanda,

A lua lumiando o calcanhar,

No bule, café aromando,

E muita estória pra contar...





Melhor é apagar da ideia

Essa estória e nem contar...

Lembrança dá dor no peito,

É perigoso recordar...



Deixa a rede pro tempo, o café

E o luar...o tempo é que vai contar.

Sabe ele, que a moça do calcanhar

Lumiado, amou demais nessa vida...

Por isso ela pode chorar!


autoria:: Suzete Torres





terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Camaleão







O camaleão muda de cor pra  confundir com a natureza. Pra se dizer da intemperança,




o céu altera o seu azul. Ondas do mar se fazem grossas, como espuma, para alertar os pesca-




dores sobre a maré...ou está pra peixe ou é só rede vazia. Pássaros alternam o voo, de alto para






rasante. No chão buscam alimento, no alto a liberdade.




Tempestade é anunciada quando as nuvens se amontoam, e , de brancas ficam cinzas...um cinza






tão escuro que tão logo surgem relâmpagos e trovoadas.




Estrelas cintilam na noite, ou até nem cintilam se o céu que lhes acolhe, estiver tão carregado.




A noite se torna dia quando surge a alvorada. O dia vira noite ao som das badaladas,




do relógio lá da igreja, pontuando as seis horas.




A lua tem suas fases, marcadas no calendário...vai crescendo e engordando até




Virar luar, em noite de lua cheia.




Voltando ao camaleão, bicho feio e enganador, não quero ser como ele pra disfarçar




Minha dor...quero ser como a lua...em cada fase, eu mesma...em sintonia plena com o




meio ambiente do amor!

autoria de :: Suzete Torres












sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O espelho





O espelho reflete o rosto da moça

Que, sobre seu destino, não refletiu

Um dia...

Espelhou-se em quimeras refletidas

Das promessas e fantasias...

Hoje, procura a moça o seu rosto,

Como fora um dia...

O espelho não reflete o que procura

A moça... hoje se espelha em seu

Destino e vai buscar outro espelho,

Sem quimeras e fantasias, que reflita

Simplesmente... o cansaço de uma vida!


autora:: Suzete Torres

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pierrô sem colombina





A madrugada sedenta de confetes

Ficou só...sem colombina e serpentinas.

A matéria pálida, como cera que se esqueceu

Do brilho, inerte e fria se descobriu...

Os lábios, antes cálidos, agora impassíveis,

Ao tocá-los,  a certeza do esfriamento

Insensível e eterno...

Na lapela da manhã ficaste gravado, e , até

Que tudo se desfaça pelo tempo, o silêncio

Mórbido se insinua...

Sem fluxo e sem luz, sem sonhos a querer,

Sem cirandas e fantasias... apenas o relicário

Da memória de cada um!




autora:: Suzete Torres

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sob....

Sobre a lápide, flores
Abaixo dela, o corpo inerte
Pela mão descorada, feia e
Arbitrária...que cala, sem hesitar.
Possessiva, cruel...leva e não devolve!
É o espectro do horror...é ela, que
Aniquila quem ama, que impõe sua
Vontade sem pedir licença, deixando
Ninhos vazios e corações apertados!
É ela, péssima mestre que não sabe
Ensinar a equação de sua fórmula...
É ela, que, em seu laboratório, pratica
A Física...traiçoeira e implacável,
É ela...
Sobre a lápide, flores...
Sob ela, a Morte!




por:: Suzete Torres 


"Sempre escrevo sobre saudade, mas hoje senti o desejo de nomeá-la...tenho esse direito!"