sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bem-me-quer....

Vi meu humilde bem querer
Rasgando as folhas, ficando
Simples e sem fonte...

Vi meu suntuoso mal querer
Vadio e acorrentado à mercê
Da sorte...

Bem-me-quer, mal-me-quer...
Se bem me quis, eu também
Se mal me quis, eu bem quis!

Da folha do bem-me-quer
Eu só vi o amor...
Da folha do mal-me-quer,
Só a dor...

Mal-me-quer, bem-me-quer...
...a agonia da folha, querendo
Só bem-me-quer!

por:: Suzete Torres




















quinta-feira, 19 de abril de 2012

Folha em branco

Quero uma folha em branco,
Tão branca como o lírio em haste,
Antes do câmbio da tarde...
Dardejar muito brilho com salpicos
De lantejoulas,
Lambuzar de cores, meus dedos já
Entumescidos,
E percorrer a folha com toda liberdade.
Depois, sem repasses e acertos,
Ver a folha subindo pelas mãos de um
Menino...empinada com louvor até 
Desaparecer no espaço, ficando só 
Réstias de luz, imanentes das lantejoulas!
Para os ares a folha em branco...
Só o lúdico em cores!...


por::: Suzete Torres









segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Relicário

Guardei num relicário todo meu amor...

Essencialmente, o maior e mais raro dos

Sentimentos...

Fios de filigrana para ornar minha alma,

Guardei...

Notas do coração de uma essência, guardei.

Juras, palavras, carinhos, êxtases, perdão,

Lágrimas, risos, sonhos...uma vida guardei!




Abrir o relicário é preciso...uma ultima vez.

Depois, incinerá-lo e vislumbrar a chama.

O lacre oxidado pelo tempo se faz difícil

Para minhas mãos que fremem de medo.

Receio um frenesi...é preciso força!

Sei que sentirei o avesso da alegria...




Depararei com o contorno de mim,

Com minha alma ainda inteira, com

Meu corpo nu cheio de prazer e vida.

Sei que sentirei o avesso da alegria...

É morte que desejo ali...

E, se é morte que desejo, e, sendo a

Morte, definitiva e resoluta, que eu

Então não abra o relicário, nem lhe

Atei o fogo...




Penetrarei ao fundo de mim mesma,

E buscarei a menina que sustenta

Essa mulher triste...a menina que

Não quer morrer...senão consigo mesma...

A menina que não terá mais relicário porque

Aprendeu que guardar quimeras faz sombra

Fria, ao coração!


por:: Suzete Torres



















































quarta-feira, 11 de abril de 2012

Murmúrio

Dentro de mim há um rio que murmura...
A água da minha sede ignorante por ter
Desejado tanto, amado tanto, querido tanto!
Banhei todas as floradas de esperança, para
Afinal, sentir-me  ressequida, frágil, quebradiça,

Na estrada deserta, onde tudo é dúvida, tudo
Não passa de um eco no vazio torpe da pedra
Que oscila à procura do equilíbrio.
Dentro de mim há um rio que murmura...
A água arrastando obstáculos, abrindo um
Percurso novo, lavando a lama, murmurando 
Vida... agora, de gota em gota pra se viver!


por:: Suzete Torres








terça-feira, 10 de abril de 2012

O amor, mais uma vez...

Aventure-se numa estrela,


Para que eu possa lhe ver!


A beleza indizível do amor


Será o meu guia noturno,


Para eu lhe reconhecer...


O brilho terá de ser claro,


Mas de leve e devagar...


Só assim me sentirei única


À luz dos olhos seus!..




Se houver demora ao fitá-lo,


Será o momento do tempo,


Me entregando a certeza de


Um adeus que ficou por dizer,

Até mesmo na hora em que se

Diz adeus!...

por:: Suzete



















domingo, 1 de abril de 2012

A muda



Poda, apara, cuida da muda
Que muda de lugar para fortalecer
A raiz e preservar a espécie.

É preciso sol, mas nem tanto.
É preciso sombra, mas nem tanto.
Muito equilíbrio no trato, é preciso.

Muda de lugar, a muda...outro espaço
Na terra...nada de adubo inventado, só
Mesmo o que for natural...mais nada!

Água limpa pra orvalhar, amor no cuidar,
E terá a muda mudada, conquistado o
Seu lugar...

Aí então, no silêncio perspicaz da natureza,
A muda vingará...verdejante e robusta...
É vingado o destino, massacrante, da espécie!

autoria:: Suzete Torres

quinta-feira, 29 de março de 2012

Águas de verão



Águas tardias encerram o ciclo de verão.
Assim é a vida...feita de ciclos; ela é cíclica.
Esperanças ressecadas pelo cansaço de esperar,
Dão lugar a outros anseios...que terminarão na
Esperança de que desta vez, nada irá se perder.
Só que para existir, criar, recriar, é preciso ser!
Como as campinas que recebem a chuva, sedentas,
Não mais suportando o que as aniquila, o coração
Da criatura também é provocado pela mesma dor...
O coração é humano, até mais que a vida...
O coração está para o homem como o campo para
A verdejante manta que o faz belo!
São assim, as chuvas de verão...tal qual a vida!
Sempre haverá um "grand finale", antes que desçam
As cortinas...outro espetáculo vai começar!

autoria: Suzete Torres