quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pierrô sem colombina





A madrugada sedenta de confetes

Ficou só...sem colombina e serpentinas.

A matéria pálida, como cera que se esqueceu

Do brilho, inerte e fria se descobriu...

Os lábios, antes cálidos, agora impassíveis,

Ao tocá-los,  a certeza do esfriamento

Insensível e eterno...

Na lapela da manhã ficaste gravado, e , até

Que tudo se desfaça pelo tempo, o silêncio

Mórbido se insinua...

Sem fluxo e sem luz, sem sonhos a querer,

Sem cirandas e fantasias... apenas o relicário

Da memória de cada um!




autora:: Suzete Torres

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sob....

Sobre a lápide, flores
Abaixo dela, o corpo inerte
Pela mão descorada, feia e
Arbitrária...que cala, sem hesitar.
Possessiva, cruel...leva e não devolve!
É o espectro do horror...é ela, que
Aniquila quem ama, que impõe sua
Vontade sem pedir licença, deixando
Ninhos vazios e corações apertados!
É ela, péssima mestre que não sabe
Ensinar a equação de sua fórmula...
É ela, que, em seu laboratório, pratica
A Física...traiçoeira e implacável,
É ela...
Sobre a lápide, flores...
Sob ela, a Morte!




por:: Suzete Torres 


"Sempre escrevo sobre saudade, mas hoje senti o desejo de nomeá-la...tenho esse direito!"





















quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um pouco do tudo





Cantamos sempre o mesmo canto,

Compartilhamos as mesmas alegrias,

Choramos juntos o mesmo pranto,

Caminhamos num único encantamento...

Criamos a sedução, um para o outro,

Foi você um pouco de alimento, fui eu

Um pouco de guarida...

Fomos nós, o trigo e mel por muito tempo...

Mão na mão...misterioso amor!

Há de ter um filó em tudo isso, que cobre

no tempo, o arrastão...você não é mais meu,

Eu não sou mais sua...

Será inesperada a descoberta...disfarçada de

Meu próprio engano, declino-me sobre as

Memórias e finjo um contentamento,e ,

Faço versos, deveras inexatos...

por:: Suzete Torres

..."e eu lhe direi: amigo, esquece...o meu esquecimento foi sozinha"!

Fleuma




por:: Suzete Torres






ИзображениеNa estrada, a neblina...

Não há rosas beirando o

Caminho...

Procuro uma rosa insolente que

Acorde a manhã que não quer acordar.

Essa fleuma me encalça, nela me

Desfaço...num cansaço de mim.

Oh! rosa, diz pra mim teu esconderijo,

Conte-me o teu segredo...mostre pra
                                                                                                   
                                                                                                    Mim tua cor...que eu criarei em

                                                                                                    Silêncio, um vale infinito de amor!                                                                                      

                                                                                                 








                                                 
                                               






























































quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Louvado seja...

Quanto riso e lágrima, sofrimento e dor,
Desesperança e esperança,
Solidão, prazer, apelo, consolo,
Mentira e verdade, vitória e conquista,
Derrota, desengano, paixão e morte...
Para que a vida valha a pena?


Canções e livros, suor e arte,
Azar ou sorte, o bem, o  mal,
Amor desperdiçado, ira, ódio,
Palavras não escritas, ditas
Ofensas, arrependimento...
Para que a vida valha a pena?

Noites mal dormidas, pesadelos,
Pílulas, o corpo e a forma, ócio,
Vigilância, vigília, trânsito, sinais,
Verde, vermelho e amarelo...
Para que a vida valha a pena?

Espelho, rugas, pele e cabelos,
Mãos e pés, pedestal e fama,
Compromisso, culpa e punição,
Fotos e vídeos, fatos e boatos...
Para que a vida valha a pena?

Quanta complicação! Não estariam
Certos os nômades, por certo, destino
Incerto...o sim e o não.
Amores únicos, predestinados...
E,.....
Louvado seja Deus, para que a vida valha a pena!
                                                                               por:: Suzete Torres

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ensaio

Para esconder o meu desejo,

Olho disfarçadamente para o
Meu corpo, como se fosse possível
Enganar minha vontade...

Assim se vão em pensamento, os mais

Longos momentos de pura e ingênua
Cumplicidade no contexto de um amor
Infinitamente belo, transgressor até, ao
Limite de quem ama...

Na prática da solidão, hoje, não compartilhada
Revelo em mim e para mim, o que sobrou desse
Amor: um lamento intrínseco, um pesar silencioso,
Um encontro frio com a distância amiga...entre eu
E tu!


por::Suzete Torres



"Encontros com minha essência me impedem o precipício final"!
                                               (Suzete)



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Silêncio





Boca que deseja

Abrir em leque os

Fragmentos de sentenças

Não pronunciadas...

O vazio...

Presença sem voz, apenas...

Minhas palavras não se

Rompem perante tanto

Silêncio explícito do

Não querer ouvir...

O "querer dizer"...sufoca,

Não há como...

Só o eco de um sussurro

Incompleto, ainda...

Presença física

Que não diz, cala...

Lábios semiabertos,

Sempre ensaiando dizer.

Fala...pra que eu possa

Escapar da angústia de ser

Única...

Receio um grito estridente

E histérico...

Lábios entreabertos,

Deixa que eu diga,

Ouça...retorna-me!

Não me aquiete mais

O verbo...

Deixa que eu o revele,

Pra que amanhã quando

Meus olhos estiverem

Semiabertos, e minha

Voz emudecida, não

Queira que eu responda

À pergunta, que, com certeza

Não lhe calará:: Porque?

por:: Suzete Torres