sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fidelidade






Não quero um amor inventado, ventando

Carícia a esmo, nem mesmo à luz do ocaso.

Quero um amor banhado a sol que me

Esquente a alma tirando de mim a

Friagem que vem do meu coração.

Não quero juras, promessas em vão...

Quero um amor de verdade, com recheio

De sinceridade e uma querência serena, sem

Chamas de paixão.

Não quero ser rainha e nem princesa...

Quero a passarela do teu corpo, por onde

Somente eu, a caminhar.

Não quero ouro, prata e esmeraldas...

Quero brilhar simplesmente, no fundo

Do seu olhar...

Não quero ser escultura nem mesmo

Fina porcelana...

Quero apenas me quebrar em seus braços,

Juntar-me a seus beijos e sair inteira de amor!




por:: Suzete Torres




"Amor, divino amor...existe"?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ode à Flora...





Na perfeição que permeia a natureza, vejo

Saltar à minha frente, o ventre carregado

De filhos ... beleza verossímil e pura de um

Parto sem dor, que encanta e colore a vida,

Batizando com perfume, o ar que paira no

Espaço cósmico, atravessando horizontes,

Perpetuando em nós...

É a flora na sua mais misteriosa performance!

Cores que pincel algum é capaz de tonalizar,

Formas que nem mesmo um arquiteto consegue

Idealizar... a menos que as copie...

Mas existe o poeta! Ele sim...

Com a alma branca, os olhos inebriados, as mãos

Trêmulas, os sentidos "aflorados"... vê, o poeta o

Espetáculo se abrir em forma de desejo.

Desejo de amar a todas , recolher a todas, invejar a todas...

É então que o poeta, sensível em sua natureza, tenta em versos,

Expressar tamanha grandeza...não é preciso! porque a

Irreverente beleza que há na natureza é magnânima

Obra do Criador!



por:: Suzete Torres


..."então volto do meu cochilo e com o regador, orvalho meus pequenos vasos"!
                                                         (Suzete)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O vento e eu...





Quero o vento desalinhando meus cabelos,

Roçando forte o meu rosto, trincando meus

Lábios...esfriando minha pele, cantando bem

Baixinho em meus ouvidos, erguendo minha

Roupa...eu a brigar com ele, ele a brigar comigo.

Quero procurar um coqueiro desnudo e frágil,

Onde eu não possa me esconder...

Quero sentir o vento sobre meu corpo todo,

Trazendo à tona alguma coisa que não seja o nada.

Quero fingir gostar dessa ventania toda, sem me

Incomodar, sem dizer nada...farfalhada pelo sabor

Do agito que balança a alma, corpo e mente sem

Saber guiar, luzindo a vida a comemorar...

Quero lançar-me ao vento, sensitiva e leve, consentindo

A ele, que me leve solta pra qualquer lugar, contanto que


Que seja simples como a poesia, úmido como o amor e

Íntimo como a melancolia!!



"Na última palma do coqueiro, reside sonhos, delírios, desejos e uma vontade enorme de voar"!
                                                                     (Suzete)




por:: Suzete Torres


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Verão

Vandário Mokara: há 17 anos plantando sonhos e cultivando maravilhas




A chuva grossa e fria transforma o cenário da natureza.

É o verão chegando cumprindo sua missão: lavando flores,

Folhagens, árvores e plantações...

O natural se banha na torrente, imitando a paixão... que

Avassala, queima e faz temer.

O céu se cobre de ondas cinzentas, as bolas de algodão se agrupam,

Formando densas nuvens.

Cai a chuva... mansa ou rebelde, cai...

A sombra se casa com a lua perdida entre nuvens, como a paixão,

Que promete as plumas do encanto, entusiasmando os átomos das

Células de um coração.

A chuva grossa e fria transforma o cenário da natureza... que a saudade

Cinza e opaca da paixão, se afogue no tempo, devolvendo entre nuvens,

O esboço da lua insinuado no céu, crepitando relâmpagos...desenhando

Mais nuvens, silenciando a paixão!




por:: Suzete Torres














segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sinfonia





Olho as teclas alvas de um piano e igual a uma

Sinfonia , cujo compositor esqueceu de finalizar,

Me pego cantarolando baixinho, uma música qualquer.

Esquecidas partituras num lugar sombrio, puídas,

Amareladas pelo tempo, me vêm à lembrança.
Um passado distante, não obstante me lembre dos tempos

Idos... sem o convívio com as flores, sem o perfume das magnólias,

Sem ouvir, sequer, o trinado dos canários...aprisionada em mim!




Por um amor descompassado, agudo e fora do tom, a clave

No início da pauta, se apaga com as sete notas da escala de

Do a si...as teclas alvas do piano, aguardam outro compositor.

Que seja ele sensível pra terminar a sinfonia que um dia, alguém

Sem minúcias e desatento, muito mal começou!

Então cantarei, não uma música qualquer, mas aquela que será 

Um acalanto para meus dias e noites...calma no coração!


por:: Suzete Torres











domingo, 15 de janeiro de 2012

Balões de ar





Recolho meus sentimentos em balões de ar,

Querendo nesse momento que os levem pra

Onde chegar... em suas retortas mágicas em
Algum lugar há de chegar...

Em silêncio o acompanho, como um exercício

Espiritual, até senti-lo longe, e, perto da esfera

Celeste...perdendo-o de vista, onde "o nada"

Se avista e "o tudo" se precipita...

Não importa, soltei-o de dentro da manta do

Trevo de quatro folhas, e , se for sorte há de

Cair numa campina e quem sabe, no mar...

Nas campinas ou no mar, a eternidade dorme,

Não morre...o segredo dos meus sentimentos

Estão nos balões de ar!


"O amor é tão amplo, poderoso e transcendente...é o amor, atemporal!"
por:: Suzete Torres

sábado, 14 de janeiro de 2012

Perfídia





Sombra esquiva e fugaz de um outono derradeiro.

Meu estio se confunde com o crepúsculo das tardes

Vazias pela perfídia resvalada nos tons do meu arco-íris!

São coriscos de luzes, as palavras em poesia, passos

Certeiros da bailarina a dançar na caixinha de música,

São brisas ventando as cortinas, são minhas recordações!

Ociosamente vejo o declínio dos dias, sinto a dança dos

Sentidos...o meu estio está pronto pra deitar mais folhas,

Em outro outono, talvez...

Uma canção nova de amor....porque a esse, tu mentiste!

Sombra esquiva e fugaz...a perpetuar  minhas tardes

Vazias, como a perfídia que se fez longa demais!


"O realismo fantástico sempre existiu: é a poesia"! (Quintana)

por:: Suzete Torres