segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sinfonia





Olho as teclas alvas de um piano e igual a uma

Sinfonia , cujo compositor esqueceu de finalizar,

Me pego cantarolando baixinho, uma música qualquer.

Esquecidas partituras num lugar sombrio, puídas,

Amareladas pelo tempo, me vêm à lembrança.
Um passado distante, não obstante me lembre dos tempos

Idos... sem o convívio com as flores, sem o perfume das magnólias,

Sem ouvir, sequer, o trinado dos canários...aprisionada em mim!




Por um amor descompassado, agudo e fora do tom, a clave

No início da pauta, se apaga com as sete notas da escala de

Do a si...as teclas alvas do piano, aguardam outro compositor.

Que seja ele sensível pra terminar a sinfonia que um dia, alguém

Sem minúcias e desatento, muito mal começou!

Então cantarei, não uma música qualquer, mas aquela que será 

Um acalanto para meus dias e noites...calma no coração!


por:: Suzete Torres











domingo, 15 de janeiro de 2012

Balões de ar





Recolho meus sentimentos em balões de ar,

Querendo nesse momento que os levem pra

Onde chegar... em suas retortas mágicas em
Algum lugar há de chegar...

Em silêncio o acompanho, como um exercício

Espiritual, até senti-lo longe, e, perto da esfera

Celeste...perdendo-o de vista, onde "o nada"

Se avista e "o tudo" se precipita...

Não importa, soltei-o de dentro da manta do

Trevo de quatro folhas, e , se for sorte há de

Cair numa campina e quem sabe, no mar...

Nas campinas ou no mar, a eternidade dorme,

Não morre...o segredo dos meus sentimentos

Estão nos balões de ar!


"O amor é tão amplo, poderoso e transcendente...é o amor, atemporal!"
por:: Suzete Torres

sábado, 14 de janeiro de 2012

Perfídia





Sombra esquiva e fugaz de um outono derradeiro.

Meu estio se confunde com o crepúsculo das tardes

Vazias pela perfídia resvalada nos tons do meu arco-íris!

São coriscos de luzes, as palavras em poesia, passos

Certeiros da bailarina a dançar na caixinha de música,

São brisas ventando as cortinas, são minhas recordações!

Ociosamente vejo o declínio dos dias, sinto a dança dos

Sentidos...o meu estio está pronto pra deitar mais folhas,

Em outro outono, talvez...

Uma canção nova de amor....porque a esse, tu mentiste!

Sombra esquiva e fugaz...a perpetuar  minhas tardes

Vazias, como a perfídia que se fez longa demais!


"O realismo fantástico sempre existiu: é a poesia"! (Quintana)

por:: Suzete Torres







sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Monólogo da lágrima






Porque insinua lágrimas, em vez de deixá-las rolar?

Chorar é nobreza nas faces, que emana da alma sentida,

Mesmo sem mais nem porquês...

As lágrimas, contudo,vêm da fonte onde ficam as mágoas, as

Lembranças guardadas, a música que não se ouve mais,

A saudade infinda do amor que se foi, uma flor que secou...

Permita que elas se entornem sobre a pele rosada,

Deixando parar em seus lábios, e prove o doce do

Do sal...

Vergonha...chorar?

Não...só os fracos não choram; são eles muito pequenos

Para entender o verbo 'chorar'....

Renda-se à lágrimas...quantas forem!

Ofereça sempre seus olhos pra quando quiserem voltar,
E, bem do fundo de tudo, contempla o encanto das lágrimas,

Acredita que são efêmeras...do início ou do fim que se despede.

Porque insinua lágrimas, sem deixá-las rolar?
Prefira a leveza das lágrimas à pesada água dos rios...nunca se sabe,
Dos rios, por onde passou seu curso, por onde rodopiou...

por:: Suzete Torres



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Entrei no jardim das flores....



Entre flores e folhas, folhagens e ramos,
Componho o cenário da minha vida só!
Artesã de minha própria estória, preencho
Lacunas entre uma flor e outra, com musgos
De um escuro verde, como um cobertor a
Aquecer a terra...

Revoo pelas réstias da solidão como borboleta
A cirandar em torno da flor, até escolher em
Qual pousar...
Depois desse movimento de atração, repouso os
Olhos sobre o tapete macio das pétalas multicoloridas,
E, inclinando lentamente meu corpo, sugerindo um
Ato de genuflexão, me deito só!

Sinto o veludo das corolas a me acarinhar... adormeço.
Sonho com vozes brandas, com sorrisos plenos, com
Abraços meigos, com um simples olhar...deve ser por
Causa das flores que não me deixaram só e me trouxeram
Um sonho...tão bom de sonhar!

por:: Suzete Torres

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Côncavo e Convexo





O oceano capta o convexo da lua e imprime,

Em consonância com o barulho das ondas ,

A sua nudez sobre a superfície das águas.

Eu, procuro o côncavo dessa beleza escandalosa e

Pura, como quem deseja encaixar-se nele para sonhar

Os possíveis mistérios de uma noite de luar...

Como é absolutamente surreal, contento-me em contemplar

Essa esfera prateada e cobiçada, seja onde for e como for...

Da pequena janela do meu quarto....

Da janela de minh´alma....pode ser!

por:: Suzete Torres







Desejo





Traço uma paisagem em minha mente,

Você não está nela, naturalmente...

Preciso ficar só...urgentemente...

Organizar os compartimentos, é preciso!

Sentimentos e sensações de um lado...

Razão e matéria de outro...

Aí então, sim...posso mergulhar na

Água do amor, sentir o arrepio em minha

Pele, e trazer você pra minha tela...viva e

Única!

Aspirar a felicidade, agora, posso!

Respirar o ar puro, agora, devo!

Inspirar-me no cenário imaculado, com certeza!

Banhar-me com você no lago da paixão segura,

Sem medo de me afogar...é tudo o que desejo!




por:: Suzete Torres