sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Noite companheira

A manhã é calma, a tarde é vazia,

A noite vem vestida de azul anil com

Seu profundo decote... um profundo

Convite para nele mergulhar...

E, mergulho...nem precisa convidar!

A noite é sincera, leal, companheira,

Traz o balanço do dia, encerra em

Paixões, o que é pra apaixonar...

Esconde em cantos,o que é pra guardar,

Guarda consigo o que é pra esconder...

Da cor de sua roupa, azul anil, acendo

Uma vela...busco a intimidade comigo

Mesma...mais densidade, como o fundo

Do mar!                                                        por:: Suzete Torres

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Andante...

Andou por veredas estranhas,
Pensou com as entranhas,
Saltou seu corpo à lua,
Tentou arrebanhar as estrelas...
Por tanto sentir-se grande,
Deitou no chão a esperança,
Que logo precisou dela, pois
Veio a desesperança!
Andou por veredas estranhas,
Pensou que tudo podia, quando
Arreou o corpo, sem saber o que
Fazia...
Lembrou-se do antigo abrigo, de
Onde vinha...pobre, porém seguro, livre
De todas as armas...
Retornou pelas mesmas veredas,
Tirou de suas entranhas o grito que
O salvaria:: Só vós, Senhor, alcançaria
O céu, a lua e as estrelas, sem precisar
Do chão, pegar a esperança!
por:: Suzete Torres

Vai e vem...



Um ano que vai, outro que vem...

Nesse vai e vem, eu vou,

Nas nuvens da ida, nas ondas que

Vêm...

Só não sei ainda pra onde que vou,

Espero a vinda do ano que vem...

Pra esquecer, do ano que foi, as

Tristezas e angústias que ele levou...

O ano que vem me traz incertezas...

Por não saber ainda se com asas ele

Vem...preciso delas pra me carregar,

Voar sempre e bem alto quando quiser...

Que venha educado, sem palavrões, sem

Ditaduras e imposições...que me deixe em

Paz...que traga em seus braços,o trevo da

Sorte,e, em suas asas o branco da neve...

Mas que seja forte e tenha o porte dos

Grandes homens...assim como Gandhi...

Já satisfaz...

Um ano que vai, outro que vem...

Dessa roda gigante, quero apenas brincar,

De vida, de sorte e sem frio no estômago...

Só quero escrever!! por:: Suzete Torres

"Tu vens vergando árvores, balançando flores, raiando auroras"!
                                                  (Suzete)












quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mudança

Com o rosto amarrotado por tanto dormir,
Acordou sobressaltada, olhou-se no espelho
E chorou...as lágrimas decantadas nos veios
Da pele, vieram assombrar sua mente, que,
Instantes depois trouxeram à lembrança  o
Tempo perdido, não vivido...
Num súbito instinto de preservação de corpo
E alma, lavou delicadamente o rosto...
Usou um creme e nos lábios, um batom...
Ajeitou os cabelos, borrifou um suave perfume,
Mudou-se de roupa...e, para o espelho sorriu!
Hoje, ela se prepara para o "Reveillon"!...




                                                        (por:: Suzete Torres)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cipreste



Não quero no meu canto, rima alguma...
Só quero que meu canto seja verde,
Pra ver-te entre os ciprestes, branco
Como a espuma...
E, confundir tua espessura, com os cílios
Ásperos do cipreste, procurar até à copa
Do arbusto, a tua alma insana e gaguejante...
E, ao te encontrar, sentir-te lívido de susto
Ao olhar para os meus olhos, a confundir com
O verde dos ciprestes!
Não saberás tu quem eu sou...o meu olhar há
Muito deixou de ser espelho teu!




por:: Suzete Torres







"Sonhos"



                       

Sobre a areia quis grafar seus sonhos,

Esqueceu-se do vento...

Um dia percebeu que minguava, na areia,

A sua grafia...entristeceu-se mas com tenacidade

Continuou...

Sonhos escritos, um sobre os outros!...até que a

Areia, mixou a todos compactando-os em um só, que

Em máxima beleza resultou: ,.."levar seus olhos para a

Superfície do oceano a ensinar-lhe sonhar com

Seu próprio olhar"!

por:: Suzete Torres
"Em minha boca, o dia...em meus olhos, a noite"...








domingo, 25 de dezembro de 2011

Alguma coisa, sempre fica.

Guardei minhas lembranças em frascos de cristal,

Um dia, me propus revê-las...

Tal foi minha surpresa, ao abrir os frascos...

O que neles guardei, havia sumido, se evaporado!

O pior é que não me lembrava o que neles estavam

Guardados...Bem, frascos vazios há muito tempo

Guardados, de nada servem...não se aproveita nada.

Antes de descartá-los , senti uma leve fragrância

Conservada em um só deles...

Conferi o aroma, novamente o frasco cheirei, mais uma

Vez apurei o olfato... Meu Deus! Que custoso lembrar!

Foi então que de repente me veio à lembrança o que aquele

Aroma trazia e dizia...Havia ali uma só pétala de rosa, e,

Ali foi assoprado, com hálito da rosa branca, 

O dia em que me tornei mulher!

Sussurrei no frasco vazio::" De hoje em diante

Serei só sua"!

Porque não evaporou? Detalhes não vou saber, 

Mas com certeza deve ser porque depois desse

Dia, não fui de mais ninguém! 

Juntei esse frasco aos outros e também o descartei,

Não quero lembrança alguma de "guardados"obsoletos...

Quero só ternura e paz...que encontro em minhas poesias!     por::Suzete Torres