domingo, 20 de novembro de 2011

Dia de domingo




Em nuvens de ouro nasce a manhã,

Sinto nesse inicio de dia, uma certa

Nostalgia...

Procuro-me logo, com receio de não

Me encontrar e vivê-lo, assim, até

À hora do crepúsculo.




Temo chorar...receio de lembrar,

De passar o dia todo sem ter com

O que me alegrar...




É domingo...como um dia qualquer,

Mas a muitos ele pede qualquer coisa

De estrépido, e a mim...quietude.

É essa nuvem silente, parada no ar,

Que me traz a paz...retomo minhas preces,

Meus livros, meus discos e nada mais...




Temo não me encontrar, se o dia de hoje,

Domingo...quiser me surpreender bruscamente,

Com algo bem diferente daquilo que me apraz...

Por isso esse toque nostálgico que sinto

Nesse início de dia...que pode nem ser nostalgia,

E sim a desordem em enlevo...incerteza de não me encontrar!    


Por:: Suzete Torres













sexta-feira, 18 de novembro de 2011

T E M P O




O tempo vem embalado nas asas do vento,

Que de tão veloz, não o percebo....

Tenho tão somente, a impressão de que vão

Indo, sem saber pra onde, as flores que plantei,

Mas que morreram e o perfume que usei, inacabado.

O som trinado dos sabiás e a música perfeita para o tom da minha voz...




A lua quase em cima da minha cama e as estrelas cintilando

Em meu lençol...

A luminária da minha cabeceira e um livro de Cecília pra depois.

Velozmente o tempo passa...tornam crespos os pensamentos...

Em ondas vão e voltam...encrostados permanecem para sempre,

Pelo menos, até que saudável seja a mente.

Não importa o quão veloz se faça o vento...pegando uma carona

Em suas asas, sobrevoo em lugares nunca idos... e, quem sabe, nas

Campinas ou nos vales, nos lagos ou deserto, nas nuvens e até mesmo

Nos pingos da chuva...não esteja de forma densa e delicada,as lembranças

Resumidas numa flor??







por::Suzete Torres








quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Eu, criança.



Peguei pela haste uma folha e a girei entre os dedos, como se fosse brinquedo.

Enquanto os adultos falavam , eu , como criança continuei a brincar com a folhinha

Quis manter minha perspectiva de criança sempre viva...Os adultos estão sempre exaustos,

Pensei...

E, degustei esse prazer...despertar a criança que há dentro de mim!

Lembranças velozes...chupar laranja em gomos, picolé de groselha,gelatina de três cores,




Maria-mole de coco queimado,pirulito de chupeta...e, até um ventinho leve no rosto senti.

A sensação é surpreendente! Diante dos meus olhos estava um mundo diferente...

Numa cumplicidade entre a criança e eu, não levei dois segundos para descobrir que

Caminhamos em sentido oposto ao natural, e , que viver com naturalidade é muito,

Mas muito, muito melhor!! (Por:Suzete Torres)

Inveja boa...




Com a mais amarga inveja ,

Ponho-me pensativa , ao

Analisar o entendimento

Fraterno entre dois amantes...

De como juntos passaram a vida,

Apesar dos percalços, atravessando

A juventude, enfrentando a velhice...



Sem titubeios, afeiçoados sempre,

Sem mentiras, só com amor...


Leais e se respeitando por longo e

Longo tempo...

A conquista da fama dos heróis, a


Vitória dos grandes generais, as

Vistosas mansões...não me causam

Inveja...mas quando sei de um

Amor assim, aí sim...Saio de perto

Às pressas, com a mais amarga inveja! por:: Suzete Torres

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Amores"??


Um Neruda , desencapado,
Um urso de pelúcia, empoeirado,
Um compacto vinil , riscado,
Uma caixa vazia de sabonetes Tabu,
E papéis, desamassados, um a um de
Sonho de Valsa...


Com excitação remexi nos guardados...
Que com esmero foram na caixa, depositados.
Sabia das muitas quinquilharias,  só não
Imaginava que fosse tão funda....porém ,
Profunda se fez minha curiosidade...
Cartas , muitas cartas de amor encontrei !


Era isso, então...um cemitério de amores!
Que buquê teria minha tia, uma senhorinha
Recatada... e tão pacata?
Teria sido um grande amor, ou amores?


Não será permitido saber...como gostaria.
Hoje ela descansa em cemitério de pedras...
...E quem sabe, sem nenhum perfume ou
Uma flor...                                                           por: Suzete Torres




"Aos olhos do amor , qual a sentença ordenada pelo juiz do coração?"(Suzete)

Viagem... (por Suzete Torres)


Um trevo de quatro folhas ,
Na clarabóia da lua, expande
O verde da tríade em plena
Madrugada...


A outra folha do trevo, escondida
Atrás de uma nuvem, surge depois de
Instantes, junto com o clarão da lua.


Um espetáculo a céu aberto com o 
Inusitado confunde, a noite que não
Dorme e nem ao menos , cochila...
Apenas vigia e ouve sem precedentes, os
Murmúrios de um poeta...


A clarabóia da lua, guarda sonhos,
Segredos e fantasias.


Ao trevo de quatro folhas, peço um sonho
Sem segredos e fantasias...
Oh! noite estendida pela madrugada afora,


Traz-me o amor mais sincero... amor por
Dentro e por fora, e , se puder me leva só um pouquinho pra lua!






















"Sonhos

Tolices....


Como uma gangorra , vivemos...
Ora, revivendo o passado , ora
Vivendo o presente, ora pensando
O futuro...


Fazemos do tempo a gramática e
Também a matemática...contando
Dias que se foram e quantos virão,
Ainda...


Poderíamos enumerar estrelas, rever
Películas magníficas, antigas...menos
Fazer de nosso tempo,um labirinto de
Argumentos...


Mapear coisas, elucubrar no vazio, 
"Resgatar" perdas... inútil ! mas o
Homem insiste e persiste em navegar
Nesse mar de tantas circunstâncias
Já naufragadas pelo tempo....


Sair dessa tormenta e saltar para a
Clareira, é renovação de espírito, 
Como a constelação em luz...


Sem fazer contas, sem gramaticar,
Sem lamentos no pensamento, e,
Sem lembranças indistintas.


O que de fato importa, é divagar em
Palavras, rabiscar qualquer coisa,
Escrever um poeminha...que é o que
Faço agora!!                                                                 por:: Suzete




"Se eu fosse poeta, acho que teria a alma tola...como muitas, entre os poetas"!
                                       (Suzete)