segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sereno

Sereno caindo sobre mim...
De mim ele só quer sentir
Meus cabelos umedecidos
Exalando o aroma de jasmim

Lavanda não serve não
Alfazema também não
O que o sereno gosta
É mesmo de jasmim...

Do jasmim eu gosto também
Mas o que gosto mais é de
Sentir o sereno caindo sobre mim
Molhando levemente meus cabelos
Sinto o frescor da noite,que de mansinho
Vem se encostando bem juntinho a mim

Sereno,noite,frescor,jasmim...vou assim de sonho em sonho,procurando por mim.
E ao procurar por mim, encontro bem quietinho lá no pé de jasmim,o sereno me
acordando e dizendo----"pensando ser uma flor,quase a colhi pr´a mim."
Eu então com ar faceiro e ainda meio zonza,respondi----"porque não me colheste??
Seria sua eternamente ,e,te digo----"muito feliz!!!
Usaria em meus cabelos só perfume de jasmim para sempre lhe encantar e nunca deixar de mim!!!

Por:::Suzete Torres

Crisálida

Penso que temos dentro de nós uma lagarta,que por muitas vezes latente,permanece em seu estado de entorpecimento,se esquecendo de sair de seu invólucro para se tornar borboleta.
Isso ocorre,talvez, por não saber o quanto 
é gratificante a metamorfose.
A lagarta receia,tem medo,de deixar de ser lagarta para se transformar numa borboleta.Acostumada e acomodada como lagarta,ela vai adiando o deslumbramento que a liberdade oferece.
Uma vez,destemida e corajosa,ela cumpre a sua evolução e passa a viver em estado de graça...
Suas asas lhe permitem voar,pousar nas plantas,assentar-se em janelas e sobretudo exibir o seu colorido exuberante agradando a todos os gostos.
Existe um certo sofrimento na passagem de lagarta para borboleta,um esfôrco dolorido,acredito...como dar à luz,porém é gratificante depois da dor,o prazer...
Juntar-se às outras,bailar ao som melódico da vida, perceber a noção do espaço ilimitado 
que lhe é permitido,voar,voar,descansar,voar,descansar,dormir o sono de quem cumpriu seu papel na natureza e não ter do que se arrepender...porque as borboletas,geralmente diurnas,só querem borboletear,adejar suas asas para manter o equilíbrio no ar...esvoaçando como um papel solto à mercê dos ventos!!!!!!!   
Por :::Suzete Torres

domingo, 17 de julho de 2011


O amarelo-laranja no horizonte é de uma beleza incontestável,que salta aos olhos
de qualquer criatura dotada de sentimento
e alimentada por sonhos.
Ele faz crer na finitude das aflições e dos
desencantos.
Ele nos dá a certeza de que tudo é transitório e de que o amanhã virá com novas perspectivas,novos ideais e pensamentos renovados.O horizonte que vislumbramos lá fora também está dentro de nós...Sua cor pode não ser o amarelo-laranja,mas com certeza terá a cor que voce lhe der.Quero dar ao meu horizonte a cor azul anil com mesclas do branco,que me lembram
o céu ao anoitecer com pequenas nuvens, já se despedindo,para ceder o lugar à lua que
majestosamente vem nos certificar de que mais um dia se foi,e o outro está por vir....












Por:::Suzete Torres

Insensível...

Hoje acordei com o meu corpo todo dolorido, numa indolência mórbida...
Sinto a fraqueza da musculatura, em
frangalhos,como se tivesse levado uma
surra...e levei.
Não a surra física,porém pior...surra moral.
O dia hoje,para mim, amanheceu nublado.
Não consigo ver sua luz e muito menos sentir a minha,que foi apagada repentinamente por um relâmpago de amargura causada por um circuito de energia negativa ,com o qual estou tentando sobreviver e gritando socorro
para que alguém me ouça e venha desligar essa corrente elétrica para que,em meio a seus fios desencapados,eu não morra.Morrer eletrocutado deve ser terrível...Um choque abrupto,principalmente quando se está sem nenhuma proteção é,na maioria das vezes,fatal...ou letal."Quero sobreviver a esse desastre causado em minh´alma e hei de conseguir,desvanecendo,para sempre da minha vida o contato emocional e presencial daquele que por irresponsabilidade e negligência não protegeu e nem sequer cuidou dos fios expostos,sem dar tempo,pelo menos de me calçar com botas de borracha e blindar meu eu para não ser atingida!!!!!

Por :::Suzete Torres

sábado, 16 de julho de 2011

Quero deixar de lhe amar

Um coração que ama não pode ser dilacerado como se rasga um papel.
Um grande amor não pode sofrer ferimentos,para os quais não há cura.
Um grande amor que faz pulsar suavemente um coração não pode ser ameaçado por ofensas e maldades apressando seu ritmo até à exaustão.
Um grande amor não resiste à indiferença perante a dor.
Não resiste à frieza...quando precisa é do calor.Não quero esquecer voce,pelo contrário,quero me lembrar constantemente dos males que me causou,porque assim terei a certeza de que deixarei de lhe amar...Todo amor que sinto darei a quem quiser,menos a voce!!!

 Por::Suzete Torres

Amor ao luar

Quando vejo a lua quase cheia com seu branco prateado,desnudada a céu aberto,penso logo nos namorados.
Namoro em noite enluarada,é tão bom quanto comer queijo com goiabada.
Tem gosto de quero-mais e ainda tem mais...um pouco só não satisfaz.
Depois vem a sede louca pr´a gente matar.
Tomamos água da fonte ou até do chafariz.
Colhemos da praça uma flor para nela se inspirar...Muitos beijos e abraços são trocados ao luar.
Promessas de amor eterno,faz da lua testemunha.
Vem o sereno,então,sugerir um aquecimento...corpo a corpo se apertar.
Nesse momento de amor,a lua só espia...o casal de namorados começando a se beijar.
Beijos quentes,abraços ardentes,carícias e delícias...com gosto de quero  mais numa noite de luar!!!!
Por::Suzete Torres

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Inês

Todos os dias,à mesma hora do dia Inês saia de sua casa sempre cabisbaixa,aparência sofrida,sem vaidade,vestida simplesmente,cabelos presos,sem nenhum adorno,sem pintura no rosto e também sem um sorriso sequer.
A curiosidade dos moradores do vilarejo foi despertada,não só pelo ritual contínuo que Inês fazia todas as manhãs,como também,porque trazia alguma coisa em sua mão direita,fechada,para ninguém ver.Sabia-se que era algo muito pequeno...
Quando regressava para casa,o que não demorava quase nada,Inês com a mesma postura,
o perfil caquético ,o mesmo ar pensativo...tudo igual.Só não trazia a mão fechada,o que presumia-se que ela deixava o objeto em algum lugar.Voltando a falar sobre os comentários...foi crescendo e várias suposições levantadas,algumas até maldosas comprometendo sua reputação.A vizinhança saia nas janelas para ver Inês passar...E ela
sempre triste,seguia o seu percurso.Ninguem ousou seguí-la,o que poderia satisfazer mais depressa a curiosidade dos ociosos,mas a humildade estampada em seu modo
de andar impunha-lhe muita dignidade.Parece um paradoxo,mas não é.Dignidade com humildade formam uma grande parceria...de dar inveja!Bem,mas continuou Inês a cumprir a sua tarefa matutina,sempre às seis horas,quando o sino da matriz chamava seus fiéis.E asim foi por muito,muito tempo...Um dia,Inês não passou,no outro também não até que deixou de passar.Mais rumores,comentários e maledicências..Um dia,quando
o comportamento cotidiano de Inês já estava quase esquecido por todos,num horário que não era de costume do vilarejo,toca o sino da matriz...Era o reverendo anunciando a morte de Inês...até então ninguem sabia seu nome.Cidade pequena,uma vila aguada e simples,quase sem recursos,é claro,velório é um programa.Todos foram ao velório na ânsia própria do ser humano,para ver de perto quem era a infeliz.
O espanto foi geral ao reconhecerem o semblante daquela mulher!Logo,todos já comentavam que era a mulher de todas as manhãs.Como toda pessoa que não tem expressividade social e econômica,com Inês não foi diferente...seu velório assim o foi.
Na hora do sepultamento,bem ao lado da Matriz,um campo de rosas de todas as cores e
resplandecentes foi visto por todos,o que gerou grande surpresa permeada de rumores
porque ninguém sabia que Inês levava todos os dias sementes variadas de todos os tipos de rosa para formar ali um roseiral...Inês sabia que assim que florescessem,ela iria descansar e sabia também que cada rosa representaria,cada uma delas,um pedacinho da sua história de amor,e,que o roseiral todo representaria fielmente toda a sua história de Amor,compondo até mesmo o seu cenário!!!!!